Ataque de Pânico: Entendendo, Reconhecendo e Superando
Um ataque de pânico é um episódio repentino de medo intenso que desencadeia reações físicas graves mesmo quando não há perigo real ou causa aparente. Esses episódios podem ser extremamente assustadores e desestabilizadores.
Durante um ataque de pânico, é comum sentir que está perdendo completamente o controle, ter a sensação de estar sofrendo um ataque cardíaco ou até mesmo acreditar que está morrendo. Essas sensações, embora aterrorizantes, não significam que algo fatal esteja realmente acontecendo.
Ataque de Pânico Isolado vs. Transtorno do Pânico
Muitas pessoas experimentam apenas um ou dois ataques de pânico durante toda a vida, geralmente em momentos de estresse extremo ou após situações traumáticas. Quando a situação estressora se resolve, os ataques desaparecem e não voltam a ocorrer.
No entanto, se você experimenta ataques de pânico inesperados e recorrentes, acompanhados de longos períodos vivendo com medo constante de ter outro ataque, você pode estar desenvolvendo transtorno do pânico — uma condição que requer atenção profissional.
Embora os ataques de pânico não sejam fatais, eles podem ser devastadores emocionalmente e afetar significativamente sua qualidade de vida. A boa notícia é que o tratamento é altamente eficaz.
A Relação Entre Ansiedade e Pânico
O ataque de pânico representa a manifestação mais aguda e intensa da ansiedade. Enquanto a ansiedade é uma sensação de desconforto que pode variar de leve a grave — incluindo sentimentos de preocupação e apreensão —, o ataque de pânico é uma explosão súbita e avassaladora desses sentimentos.
O Ciclo do Medo
Após experimentar um ataque de pânico, muitas pessoas começam a evitar situações ou lugares onde temem que outro ataque possa ocorrer. Esse comportamento de evitação cria um ciclo vicioso conhecido como “medo do medo”.
Você passa a viver com medo de sentir medo novamente, o que ironicamente aumenta sua ansiedade basal e torna mais provável a ocorrência de novos ataques. Quebrar esse ciclo é um dos principais objetivos do tratamento.
Sintomas de um Ataque de Pânico
Os ataques de pânico geralmente começam de forma abrupta, sem qualquer aviso prévio. Eles podem surgir a qualquer momento: enquanto você dirige, trabalha, dorme profundamente ou está no meio de uma aula. Podem ocorrer ocasionalmente ou com frequência, dependendo da gravidade da condição.
Embora cada ataque tenha suas particularidades, os sintomas geralmente atingem seu pico em poucos minutos e incluem:
Sintomas Emocionais e Cognitivos
- Sensação de destruição ou perigo iminente
- Medo avassalador de perder o controle
- Terror de estar morrendo
- Sensação de irrealidade ou desapego (despersonalização)
Sintomas Físicos
- Frequência cardíaca acelerada e palpitações
- Sudorese intensa
- Tremores ou abalos musculares
- Falta de ar ou sensação de sufocamento
- Aperto ou nó na garganta
- Dor ou desconforto no peito
- Náuseas e desconforto abdominal
- Tontura, vertigem ou sensação de desmaio
- Ondas alternadas de calor e frio
- Dormência ou formigamento nas extremidades
- Dor de cabeça
Após o ataque passar, é comum sentir-se completamente exausto, física e emocionalmente esgotado.
Duração e Frequência
A maioria dos ataques de pânico dura entre 5 e 20 minutos, embora alguns estudos indiquem que podem se estender por até uma hora em casos mais graves. A sensação durante o ataque, porém, é de que o tempo se arrasta infinitamente.
A frequência dos ataques varia conforme a gravidade da condição. Algumas pessoas experimentam ataques uma ou duas vezes por mês, enquanto outras sofrem vários episódios por semana.
Informações Tranquilizadoras
É fundamental compreender que, embora extremamente assustadores, os ataques de pânico não são perigosos nem fatais. Um ataque não causará dano físico permanente e é altamente improvável que você precise de internação hospitalar.
Importante: Diagnóstico Diferencial
Esteja ciente de que muitos desses sintomas também podem indicar outras condições médicas. Por exemplo, batimentos cardíacos acelerados podem ser causados por pressão arterial muito baixa, problemas na tireoide ou outras condições cardíacas.
Por isso, é essencial buscar avaliação médica para descartar causas físicas antes de concluir que se trata exclusivamente de ataques de pânico.
Quando Procurar Ajuda Profissional
Procure um psicólogo ou psiquiatra se você está apresentando sintomas de transtorno do pânico ou ansiedade grave. Quanto mais cedo buscar ajuda, mais rapidamente poderá retomar o controle sobre sua vida.
O Que Esperar na Consulta
O profissional solicitará que você descreva detalhadamente seus sintomas: quando começaram, com que frequência ocorrem, quanto tempo duram e quais situações parecem desencadeá-los.
Pode ser solicitado também um exame físico completo ou exames laboratoriais para descartar outras condições médicas que possam estar causando sintomas semelhantes, como problemas cardíacos, distúrbios da tireoide ou outras doenças físicas.
Superando a Vergonha
É perfeitamente normal sentir dificuldade em falar sobre sentimentos, emoções e aspectos da vida pessoal. Tente não se sentir ansioso ou envergonhado — os profissionais de saúde mental estão preparados para acolher você sem julgamentos.
Critérios para Diagnóstico
Você pode ser diagnosticado com transtorno do pânico se apresentar ataques frequentes e inesperados, seguidos de pelo menos um mês de preocupação contínua ou medo persistente de ter novos ataques, ou se mudou significativamente seu comportamento para evitar situações que possam desencadear ataques.
Tratamentos para Transtorno do Pânico
O objetivo principal do tratamento é reduzir o número de ataques, aliviar os sintomas e melhorar sua qualidade de vida. A abordagem terapêutica depende da gravidade dos sintomas e pode incluir:
Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
A TCC é considerada o tratamento de primeira linha para transtorno do pânico. Ela ajuda você a:
- Identificar e modificar padrões de pensamento que desencadeiam ou intensificam os ataques
- Aprender técnicas de respiração e relaxamento
- Enfrentar gradualmente situações evitadas (exposição terapêutica)
- Desenvolver habilidades de enfrentamento eficazes
Medicamentos
Em alguns casos, medicamentos podem ser prescritos, especialmente quando os sintomas são graves ou não respondem adequadamente apenas à terapia. Os mais comuns incluem antidepressivos (especialmente ISRS) e, ocasionalmente, ansiolíticos para uso de curto prazo.
Abordagem Combinada
Frequentemente, a combinação de psicoterapia e medicação produz os melhores resultados, permitindo alívio mais rápido dos sintomas enquanto você desenvolve habilidades de longo prazo para gerenciar a ansiedade.
O Que Fazer Durante um Ataque de Pânico
Ter estratégias práticas para usar durante um ataque pode fazer toda a diferença. Na próxima vez que sentir um ataque chegando:
Permaneça onde está — Se possível, não fuja. Fugir reforça o medo e o comportamento de evitação.
Respire lenta e profundamente — Inspire pelo nariz contando até 4, segure por 2 segundos e expire pela boca contando até 6. Repita várias vezes.
Lembre-se: isso vai passar — Ataques de pânico são temporários. Por pior que pareça, o ataque atingirá o pico e depois diminuirá.
Use técnicas de aterramento — Concentre-se em sensações físicas: pressione os pés no chão, segure um objeto frio, nomeie 5 coisas que você vê ao seu redor.
Visualize imagens positivas — Concentre-se mentalmente em lugares pacíficos, relaxantes e seguros.
Repita afirmações tranquilizadoras — “Isso não é perigoso”, “Já passei por isso antes e sobrevivi”, “Meu corpo está reagindo ao estresse, mas estou seguro”.
Evite lutar contra o ataque — Tentar suprimir o pânico pode intensificá-lo. Permita que as sensações existam, sabendo que são desconfortáveis, mas não perigosas.
Mensagem Final
Viver com ataques de pânico pode ser extremamente desafiador, mas você não precisa enfrentar isso sozinho. Com tratamento adequado, a maioria das pessoas com transtorno do pânico experimenta melhora significativa e recupera a qualidade de vida.
Lembre-se: procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem e autocuidado. Você merece viver sem o peso constante do medo.

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